Anti-guia de como dançar bem.
Anti-guia de como dançar bem. (Parte 4- Final)
- Considerações Finais
Para finalizar, somente queria esclarecer que esse artigo
funcionou como um desabafo e uma experiência enriquecedora para mim, sou grata por
me proporcionarem essa oportunidade de escrever sobre algo que ainda me
incomoda tanto na minha dança. Preciso destacar também, que entrei no curso
como uma dessas pessoas que se preocupava com a estética em primeiro lugar, por
medo de ser julgada e não conseguir executar certos movimentos da forma que
acham correto ou ser classificada como a pessoa que dança mal ou que não sabe
dançar. Essa preocupação absurda é empregada no mercado comercial da dança, que
vê a estética como elemento básico e como a dança através da própria estética
tem que agradar a todos sendo quase um senso comum.
A singularidade, que foi algo que eu quis enfatizar desde o
início do texto é um fato. As pessoas necessitam abrir a mente e refletir sobre
a diversidade nesse campo que oferece lazer e contribui tão beneficamente para
a sociedade, tanto de forma artística quanto saudável. Depois de tudo isso
posso me permitir a falar que, a bailarina com sua ponta não é melhor que a
dançarina de funk com sua jogada de bunda, o dançarino de hip hop com seus drops não é melhor que o contemporâneo
com seu hibridismo em cena e o Michael
Jackson com seu break dance e suas misturas não é melhor que o Carlinhos de
Jesus com seu samba raiz. Enfim, cada um é especial a sua forma, por mais que
sua preferência te puxe para um lado, você deve equilibrar-se novamente e
discutir sem subestimar e nem menosprezar nenhum corpo, a não ser que seja para
apontar contornos e curiosidades que te chamaram atenção naquele espaço que
você explorou enquanto dançava na sua frente.
Portanto, é compreensível que atualmente ainda haja opiniões
e ideias tão ultrapassadas espalhadas pela internet, como uma maneira mais
fácil de acessar e comunicar-se com esse meio tão subjetivo e confuso que é a
arte. Porém, precisa-se ter muito cuidado para que essa cultura não se propague
mais, e tenhamos vozes que possam lhe assegurar que sim você é aceito, sem
insegurança, sem desconfiança, sem pré-requisitos, apenas venha.
Finalmente,
chega ao fim o nosso anti-guia de como dançar bem, que eu não construí e nem
concluí sozinha e muito menos terminará aqui. Ao longo do texto cria-se uma
conexão e a partir daí você se dá conta que ele não é unicamente seu, ele é
nosso. O criamos através desse laço que nos fez sentir tudo que nele foi
expresso desde a dor e sofrimento até a felicidade e longevidade que isso nos
traz. Prosseguimos, assim como uma montanha-russa, subindo e descendo, vivendo
de extremos. E como eu sou curiosa eu te pergunto: Dançar realmente é tão
complexo e intrigante quanto viver?

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